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Uma nota pessoal

Rafael Kosoniscs · Fundador & Diretor Criativo

Rafael Kosoniscs, fundador da Metakiase

Quando comecei a trabalhar com comunicação, há mais de 18 anos, eu queria fazer boas peças. Pensava muito na criação, na direção de arte, na imagem, naquilo que precisava ganhar forma.

E, durante bastante tempo, meu trabalho aconteceu principalmente ali.

Os anos foram passando e o mundo foi ficando mais rápido. Novos meios surgiram, outros desapareceram, a tecnologia mudou a maneira como as pessoas se relacionam, trabalham, compram, escolhem e se informam. A comunicação foi atrás. Às vezes correndo.

Eu também precisei correr.

Com o tempo, percebi que saber criar já não era suficiente. Era preciso entender o que acontecia antes e depois da criação. Atendimento, planejamento, mídia, tecnologia, negócio, comportamento, dados, pessoas. Não para fazer tudo sozinho, mas para conseguir enxergar o todo.

Foi quando comecei a entender uma coisa que hoje parece óbvia para mim: comunicação não acontece em partes isoladas.

Um site não é apenas uma interface. Uma marca não termina no logotipo. Uma campanha não se sustenta só porque é bonita. Tecnologia nenhuma resolve um processo que não foi compreendido. E comunicar simplesmente por comunicar, para ocupar espaço ou cumprir calendário, cada vez faz menos sentido para mim.

Precisa existir intenção.

Propósito, pessoas, objetivos claros, direção. Alguma coisa verdadeira sustentando aquilo que estamos colocando no mundo.

Foi dessa forma de enxergar o trabalho que surgiu também uma expressão que hoje acompanha a Metakiase: Comunicação Sistêmica.

Não como um slogan criado para explicar a agência, mas como uma maneira de dar nome a algo que eu já vinha percebendo há bastante tempo. Comunicação é um sistema. Marca, conteúdo, design, tecnologia, pessoas, processos e negócios interferem uns nos outros. Quando uma parte muda, alguma coisa se movimenta nas demais.

Olhar para essas relações passou a ser tão importante para mim quanto aquilo que efetivamente entregamos.

A Metakiase nasce nesse movimento

Em 2023, encerrei um ciclo profissional importante. Não foi uma decisão que surgiu de um plano de negócios perfeitamente desenhado. Surgiu primeiro de uma inquietação.

Eu sentia necessidade de voltar a encontrar alinhamento entre o trabalho que fazia, a dedicação que queria oferecer e aquilo em que acreditava.

Precisava mudar.

A Metakiase nasceu dessa ruptura, mas principalmente da vontade de construir alguma coisa que tivesse mais conexão comigo. Uma agência em que eu pudesse me envolver de verdade nos projetos, questionar, estudar, propor, experimentar e não apenas receber uma demanda e devolvê-la executada.

Não criei a Metakiase para tirar pedidos.

Também não tenho a ambição de construir uma agência que precise aceitar qualquer projeto para provar que faz tudo.

Prefiro projetos pelos quais seja possível sentir alguma coisa. Projetos com fundamento, com propósito, com espaço para contribuir. Ideias que às vezes chegam confusas e que podemos ajudar a organizar até que encontrem voz, forma e direção.

Talvez essa seja uma das partes do meu trabalho de que mais gosto: organizar ideias.

Há uma satisfação muito particular em pegar algo que ainda está espalhado, uma percepção, um problema, uma vontade, uma necessidade de mudança, e, junto com outras pessoas, transformar aquilo em alguma coisa que faça sentido.

Quando isso acontece, sinto que não entreguei simplesmente aquilo que me pediram.

Sinto que ajudei.

E então chegou a inteligência artificial

Curiosamente, a transformação mais profunda da tecnologia no meu trabalho aconteceu praticamente no mesmo período dessa mudança.

A inteligência artificial chegou com força justamente enquanto a Metakiase começava a existir.

Nunca consegui enxergá-la como uma ameaça. Vi possibilidades.

De repente, algumas ideias que antes esbarravam em tempo, estrutura ou recursos poderiam avançar muito mais. Pesquisa, criação, imagem, vídeo, programação, automação. Lugares aos quais eu dificilmente chegaria sozinho começaram a ficar mais próximos.

Mas quanto mais possibilidades apareciam, mais claro ficava que aquilo exigia estudo.

E ainda exige.

Entender modelos de linguagem, testar ferramentas, descobrir limites, errar, voltar, estudar novamente. Não é um atalho para deixar de pensar. Para mim, aconteceu justamente o contrário.

A IA virou um amplificador de possibilidades.

E amplificar também aumenta a responsabilidade.

Há coisas que não quero delegar a uma máquina.

Sensibilidade. Intuição. Escuta. Julgamento. A relação com as pessoas. A responsabilidade pela decisão final.

A tecnologia pode participar cada vez mais do processo. Não acredito que deva ocupar o lugar de quem responde por aquilo que está sendo criado.

Por todas as nossas relações

Existe outra camada na Metakiase que talvez não seja imediatamente visível.

Sou uma pessoa ligada à espiritualidade. Não no sentido de procurar respostas prontas para tudo, mas porque acredito que existe muito mais em uma relação do que aquilo que aparece na superfície.

Intenção importa. Presença importa. Sintonia importa.

A própria ideia que dá sentido ao nome Metakiase passa por isso: por todas as nossas relações.

E comunicação é, essencialmente, relação.

Relação com clientes. Com equipes. Com parceiros. Com públicos. Com sistemas. Com tecnologia. Com a sociedade. Com aquilo que uma organização acredita e com aquilo que ela efetivamente coloca no mundo.

Nada disso existe completamente sozinho.

Talvez seja justamente aqui que a ideia de Comunicação Sistêmica faça mais sentido para mim. Não se trata apenas de integrar disciplinas. Trata-se de perceber que tudo aquilo que fazemos estabelece, modifica ou fortalece relações.

Quando uma empresa comunica alguma coisa, ela interfere em alguma relação. Alguém do outro lado vai receber aquela mensagem, acreditar nela, discordar dela, comprar alguma coisa, mudar uma percepção ou simplesmente seguir adiante.

Isso traz responsabilidade.

Pessoas e organizações também colocam recursos, confiança e expectativas no nosso trabalho. Eu não trato isso como pouca coisa.

Quero que quem trabalhe comigo sinta que foi ouvido. Que exista segurança para expor um problema ainda mal resolvido. Que saiba que vou me envolver e tentar compreender o que está acontecendo antes de simplesmente apresentar uma resposta.

Nem sempre vou ter a resposta pronta.

Ainda bem.

Depois de tantos anos, uma das coisas que mais me fascinam nesta profissão é justamente ela continuar me tirando da zona de conforto.

Toda semana aparece alguma coisa nova. Uma tecnologia. Um comportamento. Uma pergunta que eu nunca tinha feito. Um projeto que exige estudar um assunto sobre o qual eu sabia quase nada.

Às vezes essa área me deixa louco.

E talvez seja justamente por isso que continuo cada vez mais apaixonado por ela.

O mundo muda. A comunicação muda. Eu mudo junto.

Não sei exatamente como estaremos trabalhando daqui a dez anos. Depois de tudo o que vi acontecer nos últimos anos, seria pretensioso tentar prever.

Mas há algumas coisas que eu gostaria de continuar levando comigo.

Curiosidade para não me acomodar. Humildade para aprender. Sensibilidade para perceber o que não está escrito no briefing. Responsabilidade sobre aquilo que ajudamos a colocar no mundo.

E boas relações.

Se, depois de conhecer um pouco da Metakiase, você sentir que existe alguma sintonia por aqui, não precisa chegar com todas as respostas.

Talvez seja suficiente ter uma questão que valha uma boa conversa.